Porto Velho/RO, 01 Setembro 2021 00:36:25

LarinaRosa

coluna

Publicado: 12/05/2021 às 08h00min | Atualizado 18/05/2021 às 15h09min

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Quando elas não querem ser mães

A nossa vontade de ser mãe é realmente vontade ou apenas pressão social?

No último domingo, comemoramos o Dia das Mães dentro das possibilidades da pandemia. As redes sociais ficaram repletas de mensagens de carinho e gratidão. Porém, ao mesmo tempo, o assunto da “maternidade obrigatória” veio mais uma vez à tona.

Nem sempre levamos em consideração que a ideia de maternidade foi normalizada como algo sagrado e natural para toda mulher. Esquecemos que o desejo de engravidar não é real para todas, que o relógio biológico, se é que existe, às vezes não apita e que uma mulher pode optar por não ter filhos e ainda assim gostar de crianças.

Essa ideia da maternidade como um ideal feminino tem feito com que muitas mulheres sejam taxadas como egoístas e infelizes, por não quererem cuidar de outro ser para completar o seu destino. Esse cuidado de assumir responsabilidade e sempre priorizar as crianças foi ensinado para nós mulheres desde cedo, com as bonecas. Enquanto os meninos são encorajados pelas brincadeiras que estimulam a resolução de problemas e o uso de força física, as meninas foram e ainda são incentivadas aos afazeres domésticos e à educação dos filhos.

Com esses costumes enraizados, toda vez que uma mulher admite que não se identifica com a maternidade, ou decide priorizar os objetivos profissionais ou estudos, ela é atacada por outras mulheres indignadas e decepcionadas pela mudança de destino da vida alheia.

O que devemos nos perguntar é: a nossa vontade de ser mãe é realmente vontade ou apenas pressão social?

Vivemos num mundo onde a maternidade é um trabalho não remunerado, onde os homens não se sentem responsáveis em compartilhar a carga mental e física de cuidar de uma criança. A estrutura pública também não ajuda. As creches não disponibilizam horários compatíveis com os trabalhos delas e as empresas ainda isolam as mães.

Só para esclarecer: este não é um texto contra as mulheres que decidiram e querem ser mães. É apenas para lembrar que toda mulher deve ter a liberdade de optar em não ter filhos sem ser julgada. Há quem garante que um sorriso de um bebê rechonchudo faz tudo valer a pena; mas também há quem discorde.

Acreditar que toda mulher deve viver “o sonho da maternidade” vem da falsa ideia de que todas nós nascemos com esse desejo. Por isso, não podemos esquecer que o poder de escolha existe. E ninguém pode nos obrigar a mudar nossas decisões.


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sobre Larina Rosa

Larina Rosa é natural de Colorado do Oeste, Rondônia. Jornalista, redatora e repórter do Diário da Amazônia, acredita na luta contra a violência de gênero e igualdade de direito das mulheres.

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