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Raquel Sheherazade: ‘Passei de musa da direita a traidora esquerdopata’

A paraibana Raquel Sheherazade é mulher arretada. Ficou no comando da bancada do jornal do SBT por quase 10 anos. A crise política e..

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Publicado: 02/10/2020 às 15h54min | Atualizado 02/10/2020 às 16h01min

Rachel Sheherazade, Jornalista

A paraibana Raquel Sheherazade é mulher arretada. Ficou no comando da bancada do jornal do SBT por quase 10 anos. A crise política e econômica do governo da presidente Dilma Rousseff deu grande notoriedade à âncora. Ela era uma voz contundente que apresentava sem meias palavras a sua interpretação. A repercussão do seu trabalho na TV rendeu o prêmio Troféu Imprensa, em 2015. No entanto, dentro da emissora travou uma queda de braços com Silvio Santos. Mesmo sendo publicamente constrangida por incluir opiniões pessoais durante a apresentação do telejornal, a jornalista não se curvou a determinação do patrão e viu o empresário Luciano Hang, proprietário da rede de lojas Havan, pedir sua demissão. Sobre a relação com SBT, Rachel diz que por questão ética e contratual não fala, mas também não nega que houve interferência do governo federal para que ela não renovasse seu contrato. Conta nas entrelinhas como foi sua saída do SBT e fala o que pensa sobre a política brasileira. Nega ser bolsonarista, classificando-se como “liberal conservadora”. Ela entende que há um pensamento binário na política que elimina a diversidade de opinões. Aponta o “gabinete do ódio” como a origem dos ataques mais perversos que recebeu recentemente.

Você se notabilizou na TV como uma apresentadora que além da notícia dá suas opiniões e faz críticas. Falta esse tipo de profissional na TV?
Sim, ainda falta opinião, senso crítico, análise e, o mais importante, liberdade nas redações. Âncoras são reduzidos a meros leitores de teleprompter, repórteres não emplacam matérias críticas aos poderosos de plantão. E até os comentaristas sofrem censura e represálias. O jornalismo deveria ser o atestado de idoneidade de uma empresa. Nunca uma moeda de troca com governantes. Quando uma empresa de comunicação põe seu jornalismo de joelhos, a serviço do Poder, ela mostra claramente que não tem compromisso e respeito com o público. Como dizem os evangelhos: não é possível servir a dois senhores ao mesmo tempo.

Ainda é mais difícil para a sociedade aceitar a opinião de uma mulher?
Ainda vivemos num país de profundas raízes no machismo e no patriarcado, onde o lugar da mulher é na cozinha, cuidando dos filhos e do lar. Há muito pouco tempo atrás não tínhamos sequer um lugar de fala. O voto feminino é um advento recente. Assim como a entrada da mulher no mercado de trabalho. Apesar de representarmos a maioria do eleitorado, somos minoria no Executivo e nas casas legislativas. As leis que nos regem ainda são feitas por homens e raramente levam em consideração as necessidades das mulheres. É triste constatar que, apesar dos avanços, estamos longe da paridade entre os gêneros. Somos vistas, ainda, como cidadãs de segunda classe.

(Terra)



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