porto velho - ro, 12 Setembro 2019 04:13:37

    Sacola: Não existe obrigação de dar, mas será que vender é o caminho?

    Há uns seis anos a discussão entre supermercados e associações de classe girava em torno da utilização ou não das sacolas plásticas..

    A- A+

    Publicado: 06/08/2018 às 14h38min | Atualizado 09/08/2018 às 17h41min

    Há uns seis anos a discussão entre supermercados e associações de classe girava em torno da utilização ou não das sacolas plásticas de politeano. De um lado os donos de supermercados que mais pareciam querer enxugar gastos com a retirada das sacolas “usando a desculpa da preocupação com o meio ambiente”. Já do outro lado, o trabalhador que se via obrigado a ter que levar sua sacola própria para fazer suas compras ou pagar R$0,19 pela biodegradável. No entanto, a venda de sacolas biodegradáveis (de menor impacto ambiental) e que parecia ser a solução cabível, foi suspensa pelo Ministério Público (MP) “por aqui” por  acusações de cartel na fabricação de sacolas e não utilidade ambiental. Assim, a lei que proibia as sacolinhas comuns caiu e elas voltaram ao negócio.

    Todavia, alguns supermercados de “grande porte”, entenderam por sua vez que era melhor “inovar” e vender as suas próprias sacolas com desculpa de serem “retornáveis”. Isso mesmo! Recentemente estive em um supermercado de porte na cidade para comprar apenas duas garrafas de água mineral e nada mais. Ao solicitar uma sacola para o atendente do caixa, (porque eu não tinha onde e como guardar) ele disse: “Senhor, não temos sacolinhas, apenas as retornáveis”. Ou seja, eu teria que ter levado a minha, ou teria que comprar uma no próprio local. Entendi o que ele disse, mas imaginei que eles teriam uma sacola “parecida com a tradicional” e com um preço de R$0,30. No entanto, eles oferecem apenas a “sacola retornável deles” que sairia mais caro que o produto que eu comprei. As duas garrafas de água ficaram em R$2,40 e apenas a “sacola retornavel” acima de R$3,00.

    Agradeci o atendente e sai do supermercado com as garrafas na mão com a impressão de que muitos consumidores são lesados diariamente por uma atitude “esperta”. Além de não oferecer um apoio para o consumidor “que às vezes não tem uma caixa para carregar suas compras”, só oferecem sacolas próprias “ao meu ver caras” para quem às vezes não vai consumir nem R$10. Não existe opção! O mais triste é ver que ainda usam do discurso do “meio ambiente” para vender suas sacolas. Após denúncia do MP sob o cartel das biodegradáveis, o varejo em contrapartida deveria oferecer embalagens gratuitas, mas vejo que muitos ignoram e não se preocupam com o consumidor.

    Concordo que devemos cuidar do meio ambiente e evitar jogar sacolas plásticas em bueiros ou locais que em tempos de chuva podem transbordar. Mas, os empresários que pregam a não doação de sacolas “usando desta justificativa”, precisam primeiro entender que não se trata totalmente disso. O cuidado com o meio ambiente e onde jogar o lixo é uma questão que precisa ser emcutida em cada cidadão brasileiro. Uma questão de educação de que jogar coisas em bueiros ou vias de escoação de água não é certo. Não são apenas “sacolas de politeano” que entopem, mas outros tipos de lixos e apenas a orientação dos pais e educadores poderá mudar essa realidade no país.

    Usar como desculpa esse argumento para vender sacolas “próprias” e não darem mais as tradicionais sacolinhas não é justificativa. Não são as “sacolinhas” que aumentam os gastos do supermercado não é mesmo? Os consumidores que sustentam a máquina, então, tomem cuidado com certas atitudes. Sem cliente, sem venda e hoje existem vários supermercados espalhados nas cidades com preços e produtos parecidos e às vezes bem mais baratos. Saber fidelizar o cliente não passa apenas pelo atendimento no caixa e pela cartela de produtos, mas na satisfação geral que o cliente sente ao sair do local. Imagine se as lojas de roupas (e de outros ramos) também começarem a vender ou exigir que o cliente leve sempre sua sacola? Vão perder vendas e consequentemente clientes!

    Sacola: Não existe obrigação de
    dar, mas será que vender é o caminho? Alguns supermercados deveriam oferecer pelo menos meios gratuitos. Fique de olho.



    Escreva um comentário