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    SEXTA-FEIRA 13: A DATA MAIS DESFAVORÁVEL E TEMIDA DO CALENDÁRIO

    O medo do número 13 faz parte das tradições supersticiosas de muitas culturas

    Por AH
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    Publicado: 13/09/2019 às 13h15min | Atualizado 13/09/2019 às 13h16min

    De acordo com a numerologia não há nada de errado na sexta-feira 13. Para a maioria das pessoas, também não existe nada de plausível ou especial na numerologia, contudo, o medo do número 13 faz parte das tradições supersticiosas de muitas culturas.

    De tão frequente, existe um nome para a fobia relacionada a ele – a Triscaidecafobia. Já o transtorno psicológico no qual a pessoa tem medo ou aversão específica à sexta-feira 13 é chamado parascavedecatriafobia ou frigatriscaidecafobia.

    Venham comigo, pelos caminhos mais escuros de nossa história, tentar desvendar as origens do número que, quando junto a uma sexta-feira, compõe a data mais temida e menos auspiciosa do calendário.

    Tal é a influência difundida por esse pavor que, na antiga Constituição do Espírito Santo, não figurava o artigo 13, suprimido provavelmente por conta da cisma do legislador. A superstição também está presente no mercado imobiliário, principalmente no norte-americano.

    Em Nova Iorque, estima-se que cerca de 90% dos edifícios não contam com o 13º andar. Na cidade é comum que os pavimentos pulem do 12º para o 14º piso, e muito elevadores saem de fábrica sem o botão de número 13. No Brasil, três dos mais famosos prédios da cidade de São Paulo, aboliram a utilização do número 13, o edifício do Banco Safra, inaugurado em 1988, o da torre norte do Centro Empresarial Nações Unidas, do ano de 2000, e o do Novotel Jaraguá, de 1954.

    As origens da superstição não são claras, contudo, há várias teorias para o 13 ser considerado um número desfavorável. Uma delas tem origem no século 14, quando o rei da França, Filipe IV, considerou que a Ordem dos Cavaleiros Templários era ilegal. No dia 13 de outubro de 1307, o monarca decretou que os membros da ordem fossem presos. Acusados de heresia, todos os cavaleiros que estavam em território francês foram perseguidos e detidos, torturados e executados em fogueiras.

    Em 1314, o último grão-mestre Jacques de Molay foi preso em Paris e queimado vivo em praça pública. Enquanto ardia nas chamas, Jacques lançou uma maldição sobre o rei, o papa e o conselheiro Guilherme de Nogaret, dizendo que os três seriam convocados perante o tribunal de Deus no prazo de um ano. Coincidentemente, os três morreram no prazo de um ano.

    A propósito das superstições ligadas a sexta-feira 13, no judaísmo ela não existe. Em hebraico, sistema onde os numerais são escritos com letras do alfabeto, 13 é um número extraordinariamente positivo. Segundo a gematria, 13 é o valor numérico das palavras amor e unidade, denotando uma ligação intrínseca entre elas.

    Do ponto de vista religioso, o Antigo Testamento revela que a data em que Eva teria oferecido a maçã a Adão, e também aquela marca o início do grande dilúvio, teria ocorrido em uma sexta-feira. Há também quem relacione a data à Última Ceia, ocasião em que Jesus Cristo se reuniu com seus 12 apóstolos, um dia antes de ser crucificado na sexta-feira. E, em alguns aspectos, essa crença encontra seu símile na mitologia nórdica.

    Quando Odin estabeleceu seu reino na Escandinávia, convocou 12 sábios, para administrarem, celebrarem os rituais e predizerem o futuro. Reuniu-os, então, em um grande banquete no Valhalla. Loki apareceu sem ser convidado e tratou de armar uma de suas confusões. A traquinagem foi tanta que por engano Hodur, o deus cego, assassinou Balder, deus do Sol. Daí a crendice de que 13 pessoas reunidas em um jantar é desgraça certa.

    A história ilustra, ainda, o processo de cristianização dos povos bárbaros que invadiram a Europa no início do período medieval como provável origem do temor. Antes de se converterem, os escandinavos eram politeístas e tinham grande admiração por Friga, deusa do amor, da beleza e que daria origem ao nome Friday.

    De maneira a criminalizar tal devoção, a Igreja passou a amaldiçoa-la como uma bruxa que, toda sexta-feira, se reunia com onze feiticeiras e o demônio para lançar pragas contra o mundo dos homens.

    Apesar de tantos infortúnios associados a essa data, um dos maiores vencedores da história do futebol mundial e um dos nomes mais respeitados no esporte, Mário Jorge Lobo Zagallo, o Zagallo, assim como muitas outras pessoas no mundo todo, interpreta o número 13 com um significado completamente oposto. Por meio da somatória de seus dígitos, é um numeral compreendido como um forte indício de boa sorte.

    M.R. Terci é escritor e roteirista; criador de “Imperiais de Gran Abuelo” (2018), romance finalista no Prêmio Cubo de Ouro, que tem como cenário a Guerra Paraguai, e “Bairro da Cripta” (2019), ambientado na Belle Époque brasileira, ambos publicados pela Editora Pandorga.



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