Porto Velho/RO, 23 Junho 2020 06:00:58

SolanoFerreira

coluna

Publicado: 23/06/2020 às 06h00min

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Solenidade vira vexame com protestos por mortes 

Antes de completar dois anos de mandato, o governador Marcos Rocha já experimenta um desgaste atípico de gestores estaduais. Todos os..

Antes de completar dois anos de mandato, o governador Marcos Rocha já experimenta um desgaste atípico de gestores estaduais. Todos os outros governadores passaram por constrangimentos de protestos e atos públicos puxados por sindicatos em pautas de reivindicação salarial, o que é normal numa administração. No sábado que passou, o atual governo viveu o constrangimento de um ato popular, organizado pelos moradores de Guajará-Mirim, insatisfeitos com a condução do Estado no enfrentamento a pandemia da Covid-19. 

A agenda oficial constava um ato de entrega de ventiladores pulmonares para o hospital de Guajará-Mirim. O evento aconteceu depois que veio a público a informação de que esses aparelhos estavam num almoxarifado da Sesau (Secretaria de Estado da Saúde) muito antes da crise da saúde causar tantas mortes. Comprados pelo governo anterior, os aparelhos tinham como destino justamente o hospital de Guajará-Mirim, e se estivem por lá antes da crise, quem sabe muitas mortes poderiam ter sido evitadas.

Sabendo disso, a população não perdoou, e com cartazes e cruzes, recepcionou a comitiva governamental com protesto. Ali estavam parentes e amigos de vítimas que morreram porque o hospital estava desaparelhado. O ato que seria uma redenção política, onde a solução do problema seria entregue, se transformou numa visita constrangedora. A assessoria do governador falhou ao submete-lo ao vexame. Era previsível qualquer tipo de reação diante da condição vivida pelos guajará-mirenses. 

Recentemente, o Ministério da Saúde entregou ao governo estadual 143 ventiladores pulmonares que serão redistribuídos para unidades de saúde do Estado e municípios. Já apareceram muitos “pais” para os equipamentos, apesar do próprio ministro interino ter dito que a compra e distribuição foi feita pelo Ministério da Saúde levando em consideração as estatísticas. Marcar qualquer solenidade em momento de luto poderá resultar em mais vexame. Nesse momento, qualquer solução é obrigação em favor da vida. 


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sobre Solano Ferreira

Editor-Chefe do Diário da Amazônia. Comunicador Social e Marketing/ Mestre em Geografia. Atua na Gestão Estratégica e Gerenciamento de Crise.

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