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Felipe José

coluna

Publicado: 18/03/2019 às 18h18min

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Ter: por que o “ser algo” não chama tanto a atenção da sociedade?

Lembre-se, estar qualificado pode ser o diferencial em certos momentos da vida

Tenho reparado cada vez mais nas relações que tenho, que para muitos, basta ter um carro, um emprego que pague as contas e um cartão de crédito para ser feliz. Sim, é isso mesmo! Com esses artifícios eles já se sentem realizados e se acham quase que imunes a qualquer oscilação econômica no Brasil. No entanto,  boa parte dessas pessoas que vivem satisfeitas assim, torcem o nariz quando são questionadas ou mesmo incentivadas em “ser alguma coisa na vida”, em terem uma profissão apartir dos estudos e não ficar apenas acumulando bens materiais que com o tempo serão descartados.

O incrível é que para essas pessoas existe dinheiro para tudo! Para arcar com uma viagem sem necessidade, para manter o carro do ano na garagem, para o litro da gasolina que nem sempre está barata, para comprar o celular de R$5 mil, enfim, para tudo que os deixe psicologicamente satisfeitos. Todavia, nunca existe condições para pagar uma mensalidade de uma faculdade a partir de R$150 ou mesmo R$200 para então se tornar engenheiro, advogado, nutricionista, professor, economista, jornalista, administrador, contador, médico, farmacêutico, pedagogo, publicitário, marketing, relações públicas ou alguma outra profissão. Existe dinheiro para tudo, menos para se qualificar!

É verdade que há cerca de 20 anos fazer um curso superior era quase que impossível no Brasil, pois além da pouca oferta de instituições acadêmicas, as mensalidades eram altíssimas. Hoje com a abertura de mercado existem várias faculdades e muitas oferecendo o modelo EAD (Ensino a Distância) o qual o aluno pode estudar em casa ou onde estiver pagando um valor bem abaixo. No entanto, o que se percebe na maioria das pessoas é uma  tamanha falta de vontade de estudar e preguiça de se qualificar, como se a internet fosse a saída para tudo. Ou seja, como se ela qualificasse todo mundo para as adversidades do mercado de trabalho.

Diferença

Se você fez um curso superior e trabalha em um emprego por causa da sua qualificação, com certeza já passou por uma certa situação. Por exemplo, se você está em uma reunião de família e comenta que nem sempre trabalha aos finais de semana, parece que está  afrontando os primos, tios, tias e etc que trabalham no sábado e domingo. Eu, por exemplo, vi por diversas vezes parentes fechando a cara por que comentei que nem sempre trabalho nos finais de semana. Se pelo lado deles existe a imposição de seus empregos para que eles trabalhem nos fins de semana, o meu é quando tem necessidade. No entanto, também não tenho horário, mas não reclamo, pois já estou acostumado com os trâmites da profissão.

Ponha na balança

Será que o “ter” vale tanto assim? Por exemplo, não tenho carro, não levo uma vida de luxo, aliás, levo minha vida de uma forma bem simples, mas vivo bem. Optei pelo “ser” e “ter” as coisas quando possível, não sem necessidade e para levar uma vida copiando a dos outros. Já tive a experiência de ser office boy (por quase quatro anos) e logo depois impressor gráfico e serviços gerais (por mais quase oito anos) carregando muita caixa de papel A4 e sujando as mãos de tonner. Chegava bem sujo na faculdade de Comunicação Social: Jornalismo, pois trabalhava de madrugada e ia direto para a aula. Passei pelo tal “bullying” que tanto se fala atualmente, pois, tinham colegas de sala que não chegavam perto de mim por causa da sujeira e cheiro de suor.

Todavia, alcancei o que queria e continuo me qualificando, prova disso foram as demais faculdades que fiz: Teologia | Sociologia | Letras | Mestrado | Doutorado e o Direito que curso no momento. Além disso, entendi que mesmo não fazendo muita diferença para a sociedade de hoje, o estudo te tira de certas situações e te coloca em um ponto bem diferente nas adversidades do mercado. Ter: por que o “ser algo” não chama tanto a atenção da sociedade atual?  Lembre-se, estar qualificado pode ser o diferencial em certos momentos da vida. Até


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sobre Felipe José de Jesus

Sociólogo, Jornalista, Mestre em Comunicação Social: Jornalismo e Bacharelando em Direito. Como jornalista atuou em diversas editoras como: economia, política e também cultura em jornais impressos e portais. Passou também por assessorias de imprensa privada, prefeituras e em uma secretaria do Governo mineiro. Atualmente apoia o jornal Brasil Agora como editor. Com o mestrado deu aula na ESABI para a disciplina de Metodologia Científica e deu aulas particulares para alunos do curso de Psicologia da Faculdade de Estudos Administrativos de Minas Gerais (FEAD). Atualmente como Sociólogo prestou consultoria para uma ONG desempenhando o trabalho de pesquisas de campo: opinião pública: social e comportamento. Faz parte da Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) como afiliado e em 2016 prestou serviço de assessoria e planejamento de equipe para partidos políticos nas eleições municipais. Suas vivências acadêmicas passaram pela Faculdade Estácio de Sá (FESBH); Faculdade Polis das Artes (FPA); Universidad Europea Miguel de Cervantes (UEMC) e Universidade Uniesp.

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