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    Diário da Amazônia

    Porto Velho: Rapaz se joga da ponte do Rio Madeira

    Doze dias após a inauguração da ponte construída no rio Madeira a comunidade que reside em suas margens acompanha, assustada, o..

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    Publicado: 27/09/2014 às 12h38min | Atualizado 28/04/2015 às 08h02min

    A baixa visibilidade decorrente da água turva do rio Madeira e a forte correnteza dificulta busca pelo corpo do rapaz

    A baixa visibilidade decorrente da água turva do rio Madeira e a forte correnteza dificulta busca pelo corpo do rapaz

    Doze dias após a inauguração da ponte construída no rio Madeira a comunidade que reside em suas margens acompanha, assustada, o registro de um suicídio no local. José Augusto de Souza, 36, ajudante em construção civil, saltou de uma altura de aproximadamente 40 metros, às 14h de ontem. Até o final do dia, a equipe do Corpo de Bombeiros, que trabalha no resgate, não havia encontrado o corpo.
    De acordo com a família de José Augusto, ele sofria de quadro severo de alcoolismo, e  tomava medicamento controlado para minimizar as sequelas do uso contínuo do álcool. Na noite anterior ao suicídio, mesmo fazendo uso do medicamento, o rapaz ingeriu bebida alcoólica. Os familiares acreditam que essa mistura o motivou a saltar da ponte. “Ele bebeu a noite inteira. Quando bebia ouvia vozes e estávamos sofrendo desde o início do ano para tentar controlar, mas estava difícil. Ele foi internado na terça-feira e fugiu do hospital”, lamentou Maria Elza de Souza, 59, mãe de José Augusto.
    José Augusto saltou de uma área próxima a margem esquerda, no espaço central entre dois pilares e não bateu na estrutura da ponte. Philipe Maia, tenente do Corpo de Bombeiros e coordenador da operação de mergulho, acredita que ele morreu com o impacto com a água. “É muito alto de onde ele saltou, mesmo que tivesse caído em pé,  não haveria chances de sobreviver”, diz.

    Mãe lamenta o suicídio do filho que pulou da ponte

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    A equipe do Corpo de Bombeiros iniciou o resgate às 15h e cinco profissionais trabalham para tentar localizar o corpo de José Augusto. Contra eles, a baixa visibilidade decorrente da água turva do rio Madeira e a forte correnteza. “O nível de visibilidade no rio Madeira é zero, mas temos experiência em mergulho no Madeira”, ameniza o tenente Maia.

    Na semana passada, a polícia conseguiu conter a tentativa de uma pessoa que também teria tentado saltar do local.

    Sem segurança

    Sem nenhum aparato de segurança, a ponte do rio Madeira demonstra facilitar a ação de pessoas que apresentam problemas do nível de José Augusto ou que por outro motivo, desistem de viver. Na semana passada, a polícia conseguiu conter a tentativa de uma pessoa que também teria tentado saltar do local. A capacidade de deixar os passantes que se arriscam a fazer a travessia caminhando vulneráveis chega a causar preocupação, mesmo nos profissionais que atuam no Corpo de Bombeiros. “Nosso receio é que casos como este se tornem comum. Já ouvimos pelo menos dois comentários de pessoas que teriam ameaçado saltar da ponte”, diz o tenente Maia.

    Inaugurada recentemente, ponte apresenta falhas na segurança para pedestres

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    Trabalhou na construção da ponte

    José Augusto era morador do bairro Balsa e foi um dos trabalhadores que ajudou na construção da ponte erguida no rio Madeira. “Ele trabalhou como ajudante  de pedreiros bem no início da obra”, conta Maria Elza de Souza.
    Ela garante que mesmo enfrentando o problema de alcoolismo, o filho nunca falou em se matar. “O problema dele era complicado. Algumas vezes precisei trancar ele em casa para não sair para beber, mas não falava em se matar. Ele era minha única companhia”, ressalta.
    Até o final do dia, Maria Elza acompanhou, atenta, o trabalho da equipe do Corpo de Bombeiros sentada numa embarcação atracada na margem esquerda do rio Madeira. “Tudo o que quero agora é que encontrem o corpo dele. Quero abraçar meu filho”.

     



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