Porto Velho/RO, 19 Janeiro 2020 17:47:08
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    Transoceânica padece com a falta de conservação

    A condição da rodovia BR-364 é precária entre os estados de Rondônia e Acre. Sem conservação os buracos colocam em risco a..

    Por Redação Diário da Amazônia
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    Publicado: 18/01/2020 às 07h45min

    Foto: YouTube/ RedeTV Rondônia

    A condição da rodovia BR-364 é precária entre os estados de Rondônia e Acre. Sem conservação os buracos colocam em risco a segurança viária. Para quem transita com frequência no trecho entre Porto Velho e Rio Branco, se ainda não se envolveu em acidente, no mínimo tem histórias para contar. É o caso da comerciante Wandecléia Pinheiro que já presenciou algumas tragédias e mais recente vivei um drama na própria família. “Meu marido ainda está de muleta por causa de um acidente que sofreu nessa estrada”, contou.

     

    São tantos buracos que alguns tem mais de quarenta centímetros de profundidade. O representante comercial João Carlos reclamou dos prejuízos. “Essas crateras são vergonhosas para um estado tão rico. Aluguei um veículo porque na semana passada estourei as quatro rodas do meu carro nessas crateras”, lamentou. 

     

    Transoceânica 

    A rodovia também tem grande importância para a economia brasileira. É onde começa a Transoceânica, uma estrada que liga o Brasil, Peru e Chile na integração comercial e como alternativa para exportações para a Ásia, utilizando a rota fluvial do oceano Pacífico.

     

    Porque passam diariamente cargas de alimentos, combustíveis e de diversos outros produtos que abastecem principalmente Rondônia e Acre, além de parte da Bolívia e do Perú, que tem essa estrada como a única integração internacional e o único corredor de passagem de uma região interdependente.

     

    Mesmo com a relevância internacional, a rodovia não tem recebido a prioridade que merece.  A cada dia as condições pioram e a esperança de quem utiliza a estrada fica cada vez mais distante de ter a rodagem segura e rápida.  

     

    Falta de conservação

    Entre os quilômetros 912 e 928, no distrito de Abuná, pertencente à Porto Velho, tem partes em que o asfalto já está completamente comprometido. O pavimento está tão deteriorado que a pista ficou em chão puro. Nessa parte junta buracos e poeira como complicadores para os motoristas. “Está complicado isso aqui. Daqui para a frente a BR(364) está pior até chegar na balsa”, contou o caminhoneiro Valmir Barros.

     

    Danos e avarias 

    Os automóveis são os que mais sentem os danos da rodovia. Para desviar dos buracos os motoristas dirigem de lado para o outro das pistas buscando lugar para passar. Apesar de tantas manobras, as habilidades não são suficientes. Sempre sobram buracos e o dano no veículo é certo. Não tem como escapar nem passando pelos acostamentos porque também já foram danificados. “O acostamento não feito para isso, mas é o que ainda tem. Mesmo assim já não dá mais para passar”, reclamou o comerciante José Hernani. 

     

    Riscos

    Para vive de frete levar uma carga nesse percurso pode sair mais caro do que o previsto. Os danos causados nos veículos acabam levando o que seria o lucro do transporte. Em muitos casos as perdas são maiores do que os ganhos. O mais preocupante é o risco à vida. No vai e vem de tantos carros buscando lugar para passar, em muitos casos acontecem os acidentes. 


    Valdeir dos Santos Júnior é obrigado a fazer o percurso com frequência. Contrapassar pelos caminhões é o que mais preocupa o empresário. “A gente tem que tomar muito cuidado. Os caminhões são pesados e não tem como parar facilmente. Se não der tempo de sair da frente é acidente na certa”, avaliou.

     

    Prejuízos

    Transportadores e comerciantes não podem contar com prazos. O caminhoneiro João Martinez levava uma carga de cimento do Centro-Oeste para a cidade de Cruzeiro do Sul, no Acre. Além do prejuízo com o frete, não teve como cumprir o compromisso de atender ao cliente no tempo combinado. A previsão era entregar a mercadoria em quatro dias, mas o caminhão quebrou no trecho crítico da rodovia. Além do atraso na entrega da carga, o caminhoneiro sentiu no bolso. “Se der certo para o taxista trazer logo a peça, vou perder um dia de viagem, mas pode atrasar ainda mais porque não sei como está a rodovia pela frente”, lamentou o caminhoneiro.

     

    Maior atenção

    Entre os quilômetros 937 e 970, no trecho compreendido da balsa sobre o rio Madeira até chegar no distrito de Vista Alegre do Abunã, são mais de 30 quilômetros seguidos de rodovia danificada. A única providência do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre) foi instalar placas alertando que o trecho tem muitos buracos. 

     

    A condição de tráfego nessa parte da estrada é tão ruim que a PRF (Polícia Rodoviária Federal) considera esse percurso o que requer maior atenção dos motoristas. “Esse trecho da balsa é o ponto dessa macrorregião que requer maior atenção dos motoristas. Devido as péssimas condições da via, os riscos de acidentes são mais frequentes”, alertou o policial da PRF, Andrei Milton. 

     

    Serviço abandonado

    Em outubro de 2019, o Dnit iniciou um trabalho de recuperação da BR-364, entre Jacy-Paraná à Vista Alegre do Abunã. Parte do asfalto foi removido para receber nova camada, mas o serviço nunca foi concluído. Dois meses depois, os canteiros de obras foram abandonados. O serviço inacabado só piorou a situação da rodovia. “Olhem com carinho para esta estrada porque muitas pessoas dependem unicamente dessa rodovia para sobreviver”, alertou o comerciante João Carlos.

     

    Sem resposta

    Procurados pela reportagem, os técnicos e a direção regional do Dnit não deu informações sobre as previsões de recuperação e conservação desse trecho da BR-364 (Transoceânica). A resposta limitou que somente a direção nacional do órgão está autorizada a prestar informações.

     

    (*) Redação Solano Ferreira com reportagem de Emerson Lopes.

     



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