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Geral

Um novo polo da agricultura familiar

Foram liberados pelas instituições financeiras oficiais R$ 54 milhões em projetos do Pronaf.

Por José Luiz Diário da Amazônia
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Publicado: 12/10/2015 às 01h32min | Atualizado 13/10/2015 às 01h28min

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Jovem produtora rural Daniela Patrícia Lopes acredita no desenvolvimento da Fruticultura em Nova Mamoré Fotos: José Luiz/Diário da Amazônia

Incrustado entre os municípios de Porto Velho e Guajará-Mirim cortado pela BR-425, o município de Nova Mamoré ocupando uma área territorial de 10.071 quilômetros quadrados, com 3,8 mil pequenos produtores rurais cadastrados e mais três mil famílias assentadas pelo Incra vêm se transformando naturalmente no maior polo da agricultura familiar no Estado de Rondônia.

Os números oficiais atestam essa verdade. Produzindo 9.256 cabeças de suínos, 3.091 de ovinos e 87.376 aves. Ali, o maciço rebanho bovino com 531.302 mil cabeças, se tornou o 2º produtor de gado de corte no Estado, bem como a 3ª maior bacia leiteira, com 120 mil litros de leite/dia ocupando 1.481 pequenas propriedades rurais e 613 tanques de resfriamento. Os números computados pelo escritório local da Empresa de Assistência e Extensão Rural (Emater), em Nova Mamoré revelam que de 2013 a setembro de 2015 foram liberados pelas instituições financeiras oficiais R$ 54 milhões em projetos para o Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf).

Assentamentos e escolas nas áreas rurais

No município de Nova Mamoré existem 12 assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) com 3 mais de três mil famílias de produtores rurais ligados à agricultura familiar. O gerente local da Emater, Edinaldo França Santos, mais conhecido como Jacaré, se desdobra com 9 técnicos para atender às demandas crescentes e os projetos apresentados pelos pequenos e médios produtores.

Em todos os assentamentos têm escolas da 1ª a 4ª série e energia elétrica. Nos distritos existem escolas do município e do Estado atendendo os alunos que são transportados pelos ônibus que percorrem as linhas. Com energia elétrica e estradas

Edinaldo França Santos, gerente local da Emater

Edinaldo França Santos, gerente local da Emater

vicinais preservadas pelo governo do Estado e prefeitura, a tendência natural é de crescer a produção de produtos hortifrutigranjeiros, avalia Edinaldo França Santos, ou Jacaré, como queiram.

A previsão da colheita de café para este ano de 100 mil sacas de 60 quilos, ao lado da produção acentuada de banana, urucum e das lavouras de arroz que começam a ser abertas. O Cadastramento Ambiental Rural o (CAR) que deve ser implantado pelo Incra nos assentamentos ainda não começou. No entanto nas demais áreas rurais este serviço vem sendo desenvolvido normalmente pelo Estado e Emater.

Fruticultura é destaque nos distritos 

Nos distritos de Jacinópolis, Nova Dimensão e Palmeiras, áreas em que predominam as pequenas propriedades rurais com o apoio técnico do Emater e das estradas vicinais preservadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER), em parceria com a prefeitura, a fruticultura e horticultura e criação de pequenos animais avançam com força gerando empregos no campo e nos perímetros urbanos. Nestes distritos há um comércio forte movimentado pela circulação de dinheiro oriundo do trabalho nas áreas rurais.

Um exemplo típico de que assistência técnica e estradas preservadas pelo Estado apresentam resultados positivos pode ser constatados em Jacinópolis. Ali o trabalho diário de sol a sol, da jovem produtora rural Daniela Patrícia Lopes, 19 anos, que salta da cama às 6h para tratar e irrigar 330 pés de maracujá que rendem 500 quilos de frutos mensais. Comercializados a R$ 3,00 o quilo ela fatura R$ 1,5 mil e está partindo para a produção de 2 hectares de café, clonado e irrigado.

Naquele distrito existe um polo com mais de dez produtores de maracujá, entre eles o senhor Oscar Gerônimo Antunes, que cultiva e comercializa com a Cooperativa Agroverde, em Porto Velho onde são beneficiadas 15 toneladas de maracujá por mês produzido em Jacinópolis. O senhor Oscar Gerônimo, tem 670 pés dos frutos cultivados, retira uma média de mil quilos por semana faturando, em um mês pelo outro R$ 8 mil.

Valmiro Pardinho administrador da agroindústria familiar Nova Prosperidade

Valmiro Pardinho administrador da agroindústria familiar Nova Prosperidade

Cirineu Fernandes, presidente da Cooperativa Agroverde que industrializa e comercializa as polpas de frutas naturais com as escolas do Estado e município confirma, que a produção de frutas no município de Nova Mamoré tem tudo para se transformar numa grande área produtiva.

Geração de empregos no campo

Em Nova Dimensão, com apoio da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento e Regularização Fundiária (Seagri), a “Agroindústria Nova Prosperidade” administrada pela família Ferreira e Pardinho, com assistência de técnica Aroldo Pereira Dos Santos, dos quadros da Emater, são industrializados 1,8 mil litros de leite/dia produzindo queijo e mussarella.

Conforme explica, Valmiro Pardinho, administrador da agroindústria, os 5,4 mil quilos de queijo industrializados mensalmente, 60% é de produção própria o restante do leite é adquirido a média de 70 centavos o litro dos vizinhos. Os queijos e mussarellas são comercializados em Guajará-Mirim, Monte Negro, Ariquemes e Nova Mamoré. Ainda não entrou em Porto Velho pela falta de matéria-prima. Toda a produção é comercializada a R$ 13,00 o quilo rendendo um faturamento mensal de R$ 70.200,00.

Como se trata de uma agroindústria familiar administrada pelo Valmiro Pardinho com a participação de três irmãos e dois primos, no final do mês depois “de quitados todos os compromissos sobra um pedacinho deste tamanhinho para cada um”, sinaliza, imitando o professor Raimundo da TV. Brincadeiras à parte, a família pretende ampliar a agroindústria, já adquiriu equipamentos para produzir manteiga e queijos de trancinhas.

Governador e outras autoridades 

O governador Confúcio Moura, o prefeito de Nova Mamoré Laerte Queiroz e outras autoridades participaram neste sábado da abertura da 39ª etapa de vacinação contra a febre aftosa no parque de exposições daquele município. Foram entregues 100 licenças pelo programa de Cadastramento Ambiental Rural, uma parceria entre prefeitura e o programa Terra Legal. Os Bancos do Brasil e da Amazônia liberaram recursos da ordem R$ 3 milhões firmados em 30 contratos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf).

 



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