Porto Velho/RO, 17 Novembro 2021 10:46:20

LarinaRosa

coluna

Publicado: 17/11/2021 às 07h30min | Atualizado 17/11/2021 às 10h46min

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Uma mulher indígena incomoda muita gente

Quando foi que paramos de torcer pela preservação do nosso planeta?

Ainda não consigo entender o porquê de Txai Suruí, única mulher indígena brasileira a falar na abertura da 26° Conferência de Clima da Organização das Nações Unidas (COP26), estar recebendo ataques misóginos e racistas nas últimas semanas.

Que eu me lembre a coordenadora do “Movimento da Juventude Indígena de Rondônia” fez um discurso potente e cobrou a participação de líderes nas decisões das mudanças climáticas e a urgência para garantir o equilíbrio do clima.

Imagino quando foi que paramos de torcer pela preservação do nosso planeta e comemorar a participação de uma mulher do nosso estado em um evento tão importante.

Não é mais novidade que emissões de metano, principal gás de efeito estufa depois do dióxido de carbono, está causando desequilíbrio no clima. A Conferência de Clima da ONU reuniu 190 líderes mundiais para reduzir essas emissões e mobilizar os países para lidarem com metas que diminuam as mudanças climáticas até meados do século.

Quero entender qual é o problema em cobrar ações que garantem o equilíbrio do clima, que as leis da natureza sejam respeitadas e que as populações originárias da floresta sejam ouvidas.

O que incomodou não foi a falta de políticas voltadas à preservação do planeta, foi o fato de uma mulher indígena discursar perante o mundo sobre a importância da participação indígena nas decisões da cúpula do clima.

Enquanto todo o mundo prestava atenção ao apelo das mudanças climáticas, por aqui, Txai foi julgada pelo presidente e companhia porque não aprovaram seu discurso, que cobrou justiça para o assassinato de Ari Uru-Eu-Wau-Wau, que lutava contra a extração ilegal de madeira na Amazônia e reivindicou ações para conter as mudanças climáticas.

Essa é mais uma tentativa de desacreditar a voz de mulheres enquanto elas se manifestam. O que Txai fez foi elevar a voz das mulheres indígenas, dizer que elas possuem ideias que podem ser consideradas e combater a exclusão que ainda existe.

Todo o meu apoio vai à jovem ativista que, mesmo recebendo ataques frívolos em busca direcionar a atenção da sua visita à conferência, continua se esforçando para defender a necessidade de acabar com o desmatamento da Amazônia e segue em combate contra as mudanças climáticas. Como vimos, a voz de uma mulher indígena incomoda muita gente. Agora, o que queremos e precisamos é incomodar muito mais.


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sobre Larina Rosa

Larina Rosa é natural de Colorado do Oeste, Rondônia. Jornalista, redatora e repórter do Diário da Amazônia, acredita na luta contra a violência de gênero e igualdade de direito das mulheres.

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