Porto Velho/RO, 14 Setembro 2021 16:56:48
Saúde

Universidade brasileira desenvolve aparelho que detecta coronavírus em tempo real no ambiente

Para identificar a presença (ou não) do agente infeccioso, a máquina coleta amostras de ar e conserva o vírus num ambiente escuro

Por CT
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Publicado: 14/09/2021 às 16h50min | Atualizado 14/09/2021 às 16h56min

Para garantir ambientes livres do coronavírus SARS-CoV-2, pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) trabalham em um detector em tempo real do vírus causador da Covid-19. Na fase atual, a equipe valida protótipos da máquina — batizada de CoronaTrap — em escolas e em ambientes onde o comportamento do agente infeccioso ainda é pouco estudado.

As pesquisas para a CoronaTrap foram iniciadas no começo da pandemia da covid-19 e são lideradas pelo professor Heitor Evangelista, do Laboratório de Radioecologia e Mudanças Globais (Laramg) do Departamento de Biofísica e Biometria da Uerj. A ideia é que o aparelho consiga capturar e medir a carga viral em diversos ambientes, a partir da detecção de partículas do coronavírus.

“A nova fase [da pesquisa] será dedicada à determinação do vírus em tempo real, ou seja, medindo in situ, sem precisar levar a amostra para o laboratório”, explica Evangelista. “Produzida em larga escala, essa tecnologia tem potencial para revolucionar os estudos sobre contágio e ajudar no combate de diversas doenças”, aposta.

 

Como funciona o detector do coronavírus?

Para identificar a presença (ou não) do agente infeccioso, a máquina coleta amostras de ar e conserva o vírus em um ambiente escuro, climatizado por células Peltier — as mesmas utilizadas para refrigeração de componentes eletrônicos. Dessa forma, o coronavírus é “aprisionado” em uma câmara escura que impede o contato direto com a luz.

Segundo os pesquisadores, isso evita a sua deterioração em função da temperatura, da radiação solar ou da umidade do ar. Essa questão é importante porque o vírus é sensível aos fatores ambientais e, em muitas vezes, ele poderia se degradar antes mesmo de ser analisado, gerando um falso negativo.

Após a etapa de validação, o equipamento CoronaTrap poderá ser utilizado em hospitais, escolas e restaurantes, por exemplo. “Só através do monitoramento se pode fazer o combate. Para vencer um inimigo, é preciso conhecê-lo e esses sistemas são instrumentos fundamentais”, comenta o pesquisador sobre a nova tecnologia, que poderá ser adaptada para outros agentes infecciosos.

Além do SARS-CoV-2, o CoronaTrap poderá, potencialmente, coletar outros vírus, bactérias e fungos, contribuindo também para o monitoramento de diferentes patologias, como a tuberculose. “É um legado interessante do nosso projeto. Temos uma tecnologia bem diferente do que se encontra no mercado, totalmente a baixo custo e desenvolvida pela Uerj”, completa Evangelista.

Para aperfeiçoar a tecnologia, o projeto conta com financiamento da Segunda Chamada Emergencial de Projetos Para Combater os Efeitos da covid-19, lançada pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). (Canaltech)



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