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Voluntários comemoram o resgate de cães maltratados na Capital

Com a nova Lei, sancionada esta semana, o acusado de maltratar animais fica impedido de ter a guarda de novos bichos de estimação

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Publicado: 06/10/2020 às 09h21min | Atualizado 06/10/2020 às 09h28min

Com a nova Lei o acusado de maltratar animais fica impedido de ter a guarda de novos bichos de estimação / Foto: Secom

Neste ano atípico, Rondônia comemora não apenas a vida das espécies resistentes, mas a recuperação daquelas sujeitas a maus-tratos, caça desenfreada e queimadas.

A salvação de diversos tipos de animais bípedes e quadrúpedes é feita no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), na sede do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), em Candeias do Jamari, a 18 quilômetros de Porto Velho.

Neste domingo (4) é também lembrado o Dia de São Francisco de Assis, protetor dos animais e da natureza. Ele nasceu na cidade de Assis, Itália em 3 de julho de 1182 e morreu em 4 de outubro de 1226.

Em meio à maldade humana, o voluntariado despertou, chegando à internet.  Em 21 de março de 2018, o Projeto Adote 1 amor começou suas atividades com muita vontade de diminuir o abandono e o sofrimento de cães em Porto Velho.

Um cachorrinho de nome Cani foi o primeiro a ser resgatado após ser queimado num posto de combustível próximo à Faculdade de Rondônia, em abril daquele ano.

“Muita gente se comoveu com a situação”, lembra a administradora Patrícia Lauer, que também trabalha na Maternidade Municipal da capital.

Cani ficou dois meses internado em uma clínica veterinária, sob a responsabilidade do médico veterinário Luiz Maia; foi ressocializado e adotado no início de 2019 por Luanda [não voluntária]”.

O organização comunitária voluntária começou com uma página na rede social, atualmente mobilizando 8,5 mil seguidores, na qual funciona como plataforma de vendas on-line. Foram 779 posts até esta semana, cerca de 300 com adoções finalizadas.

“A visualização é grande, as pessoas nos procuram enviando fotos dos animais que elas têm em casa, ou que acharam na rua”, diz. Com gratidão, ela menciona outros veterinários parceiros: “Dr.Francisco e Dr. Renato de outras clínicas veterinárias da cidade; também já fizemos eventos juntamente com a Taís e o Dr. Carlos Henrique”.

O ato de adoção é feito entre o tutor e a pessoa interessada. Conforme Patrícia, em consequência da grande demanda, os animais são mostrados na rede social. “Somos 21 moderadores da conta, promovemos bazares para a causa animal e arrecadamos doações e ajuda monetária de nossos seguidores”, explica.

“A pessoa lê a página, escolhe o animal com o qual se identifica, entra em contato com o número telefônico do tutor, e nós apenas mediamos essa adoção”, explica.

A comprovação da adoção mediante o envio de foto por quem adota o animal é essencial ao funcionamento do projeto. “Infelizmente, nem todos os tutores, nem todos os novos donos fazem isso, e nós não temos como cobrar, porque fazemos o trabalho voluntário”, alerta.

Patrícia usou cartão de crédito e conta que se endividou nas primeiras ações do grupo, e a partir daí optou por ser promoter de adoções.

Veterinários parceiros tiram dúvidas, entre os quais, a médica veterinária e bióloga Adriana Soares, que se tornou conselheira honorária do grupo, depois de resgates e socorros. “Os demais, mesmo alguns não fazendo parte do projeto, são também honorários”, enfatiza Patrícia.

O projeto não recebe animais, porque não dispõe de abrigo, nem de carro, porém, promove diversas ações solidárias e de amparo aos animais. O grupo vende livros e objetos de decoração. A arrecadação é demonstrada nos storys da página, da mesma forma, os investimentos em ações em execução ou em planejamento.

A equipe principal de voluntários e moderadores trabalha na página da rede social praticamente 24 horas, informa Patrícia. “São pessoas incríveis: conto com a ajuda da Bia, Andréia, Emanuela, Carlos, Gabriela, Leonara, Ingrid, Letícia, Nael, Sabrina Sá, Sabrina Ávila, Tayná, Kattyllyn [da filial em Guajara-Mirim], Letícia, e Naell”, lembra.

Outra equipe de pessoas que têm carros ajudam na parte de boas ações do Adote 1 amor. “Com a falta de abrigos e de verbas específicas, cabe a nós, protetores independentes, promovermos o que achamos de maior valia em prol de animais abandonados, mutilados, infelizmente maltratados”.

Outra equipe de pessoas que têm carros ajudam na parte de boas ações do Adote 1 amor. “Com a falta de abrigos e de verbas específicas, cabe a nós, protetores independentes, promovermos o que achamos de maior valia em prol de animais

“Os animais só querem o nosso bem, como nós queremos o bem deles, porém, muitas vezes a ignorância permeia a maldade, maus-tratos, e uma cultura enraizada de abandono”.  E acrescenta emocionada: “Vê-los ressocializados é a nossa gratificação; se ” não fizermos, não têm quem faça”, apela lembrando às pessoas que podem procurar ajuda.

Muitas pessoas adotam animais na capital, quando acontece de se depararem com o sofrimento deles à sua frente. Caso de Emanuelle Pontes, moradora no bairro Conceição [Zona Sul de Porto Velho].

Segundo ela, um ano atrás apareceu em seu quintal uma gatinha magra, dentes quebrados e faminta. Adotou-a imediatamente.

“Dei o nome de Zulema para ela e percebi que ficou traumatizada quando foi vacinada, e isso deve ter prejudicado a cria de cinco filhotes, porque três morreram”, conta. Emanuelle ficou com um filhote e deu outro à cunhada.

“A pena agora aumentou de dois a cinco anos, para quem pratica maus-tratos, fere ou mutila animais”, adverte a delegada Janaína Xander Wessel, titular da Delegacia Especializada em Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente em Porto Velho.

abandonados, mutilados, infelizmente maltratados”.

Patrícia diz que é difícil pensar em desistir, mesmo diante de dificuldades: “Sempre deixamos bem claro na página que o Adote trabalha por amor e não temos como abandonar algo que está dando certo”. “Todos têm seu emprego, sua faculdade, temos os moderadores na rede social, fazemos tudo conforme a nossa disponibilidade de horas”.

O propósito desse projeto é erradicar toda a violência e abandono animal em Porto Velho.

(Fonte: Secom)



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