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    Saúde

    Chega ao País uso de micro-ondas contra o câncer

    A ablação por micro-ondas é apontada como uma opção para tratar lesões de forma menos invasiva e mais rápida

    Por ESTADÃO CONTEÚDO
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    Publicado: 12/08/2019 às 08h41min

    No dia 16 de maio, a aposentada Alba Cristina do Nascimento, de 53 anos, foi a primeira paciente do País a ser submetida a uma técnica que utiliza micro-ondas para remover tumores. Indicada para cânceres de fígado, rim, pulmão e ossos, a ablação por micro-ondas é apontada como uma opção para tratar lesões de forma menos invasiva e mais rápida, reduzindo o tempo de internação e preservando a função dos órgãos que recebem o tratamento.

    O procedimento foi realizado no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e o método já demonstrou que alcança resultados semelhantes aos obtidos em cirurgias, mas sem remoção de tecidos sadios. “Como trata os tumores com baixa invasividade, o paciente faz o tratamento e pode ir para casa no outro dia. Quem tem doença metastática muitas vezes, após a cirurgia, precisa de três meses de recuperação”, explica Marcos Menezes, coordenador-chefe do Serviço de Radiologia do Icesp e presidente da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (Sobrice).

    A técnica é indicada para tumores de até 3 centímetros de diâmetro. Após um pequeno corte, a agulha que vai aquecer a lesão é inserida e guiada por ultrassom ou tomografia computadorizada. “No caso de micro-ondas, eleva-se a temperatura e ocorre a destruição do tumor. A 70 °C, 80 °C, qualquer tecido morre. E o organismo absorve isso na linha do tempo”, diz Menezes. Desde 2009, o Icesp já oferece tratamento semelhante, mas utilizando radiofrequência. De acordo com Menezes, a nova técnica tem a vantagem de ser mais rápida. “Ela tem mais energia do que a radiofrequência. Para tratar uma lesão de 1 cm, a radiofrequência demora de 12 a 15 minutos. No micro-ondas, demora um minuto.”

    Dois pacientes já realizaram o procedimento na unidade, ligada à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e outros 60 foram selecionados. “O impacto é trazer qualidade de vida para o paciente. Outra vantagem é preservação de função do órgão.”

    Em luta contra o câncer desde 2014, Alba já foi submetida à cirurgia por causa de um sarcoma na coxa direita (e precisou amputar o membro) e ao tratamento com radiofrequência para tratar uma lesão no pulmão direito. “Após a amputação, fiz 15 sessões de quimioterapia e não tive mais sinal da doença. Depois de dois anos, apareceu um nódulo no pulmão, mas era muito pequeno. Voltei depois de seis meses e tinha aumentado. Fiquei bem preocupada em fazer cirurgia.” Foi quando conheceu o novo procedimento. “Fiz em uma segunda-feira e parecia que eu não tinha feito nada. Se fosse antigamente, teria de abrir o peito.”

    Nesta época, já havia uma pequena lesão no pulmão esquerdo, que cresceu e também precisou de tratamento. “O segundo foi ainda mais sofisticado e mais rápido. Estou na esperança de que esteja curada. Quero ver meus filhos se casando e quero ter netos. Eu amo a vida. Para mim, acordar de manhã e ver a luz do dia já é felicidade.”

    Superintendente da Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês, Cesar Nomura diz que a técnica de ablação por micro-ondas já está consolidada na medicina oncológica há mais de cinco anos. O hospital também começou a fazer o procedimento e quatro pacientes foram submetidos à técnica. O método, segundo ele, abre possibilidades de tratar lesões em pacientes com mais de um tumor nos órgãos que podem receber a técnica. “Se tiver um fígado com lesões do lado direito e do esquerdo, é possível tratar e, após o procedimento, a função hepática é mantida. É um tratamento para melhorar a qualidade de vida desse paciente e aumentar a expectativa de vida.”

    Seleção

    Mas nem todos os pacientes podem ser submetidos ao método. “Depende do tamanho da lesão e da localização. Ela (a técnica) está contraindicada para lesões de fígado em posições centrais, porque pode lesar a via biliar. Em pulmão, não pode ser perto de brônquios grandes”, diz Menezes.



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