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Diário da Amazônia

Turbinas de Belo Monte matam uma tonelada de peixes

O projeto de Belo Monte prevê que 18 turbinas com essa capacidade vão entrar em operação até meados de 2019.

Por Redação e Estadão
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Publicado: 13/03/2018 às 17h15min | Atualizado 13/03/2018 às 17h28min

Uma tonelada de peixes mortos foi retirada do reservatório da usina hidrelétrica de Belo Monte, entre fevereiro e março, fato que levou a concessionária Norte Energia, dona da hidrelétrica de Belo Monte, a ser notificada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para que paralise os testes e operações de suas novas turbinas, até que apresente uma solução definitiva para evitar a morte de peixes no lago da hidrelétrica.

A decisão foi tomada após o órgão ambiental averiguar que, a cada teste e acionamento de suas máquinas, Belo Monte tem causado a mortandade de milhares de pescados, inclusive no período de desova. A decisão do Ibama, conforme apurou o Estado, foi tomada na última sexta-feira, após técnicos terem confirmado que o problema tem sido recorrente e que, mesmo após medidas tomadas pela empresa para acabar com o problema, a situação persiste.

De acordo com técnicos do Ibama, a morte dos peixes ocorre por causa da força que os rotores das turbinas geram no fundo do reservatório. Isto porque, ao entrarem em operação ou mesmo durante sua fase de testes, as turbinas sugam os peixes. Cada máquina acionada em Belo Monte tem 611 megawatts de potência, e sua paralisação significa um impacto pesado no planejamento do setor elétrico. Uma turbina da usina equivale a praticamente tudo o que será entregue pela hidrelétrica de São Manoel, construída na fronteira do Mato Grosso com o Pará, com capacidade de atender cerca de 2,5 milhões de pessoas.

O projeto de Belo Monte prevê que 18 turbinas com essa capacidade vão entrar em operação até meados de 2019. A concessionária já acionou oito dessas estruturas e espera a liberação do setor elétrico para entrar com a nona máquina em atividade. O Ibama, no entanto, aponta que as regras de acionamento não têm incluído medidas que protejam os peixes do Rio Xingu e quer parar os testes.

Entre janeiro e fevereiro, quando a Norte Energia colocou sua oitava máquina para rodar, o Ibama já havia notificado a empresa para que tomasse medidas e resolvesse o problema. Na semana de 16 e 24 de fevereiro, relatórios apresentados ao Ibama apontaram que 395 quilos de peixes (936 unidades de várias espécies) foram retirados mortos do rio.

Um dia depois, em 25 de fevereiro, a concessionária informou que usou duas técnicas para acabar com a mortandade. Uma consistia em fazer a injeção de ar com alta pressão no tubo de sucção das turbinas para espantar os peixes. A outra se apoiou em utilização de uma equipe de mergulho. Dois mergulhadores entraram na máquina e seguiram pelo interior do tubo de sucção até as pás da turbina, na tentativa de afugentar os peixes. Mas não deu certo, segundo o Ibama.(com informações do Estadão)



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