Porto Velho/RO, 31 Agosto 2021 12:30:04

LéoLadeia

coluna

Publicado: 20/08/2021 às 12h35min

A-A+

Política & Murupi

A CPI da COVID perdeu força, foco e credibilidade talvez por querer colocar na roda apenas o Presidente Bolsonaro e seus ministros, que..

A CPI da COVID perdeu força, foco e credibilidade talvez por querer colocar na roda apenas o Presidente Bolsonaro e seus ministros, que aliás devem e precisam ser investigados dentro da pauta proposta quando da criação da indigitada CPI. Ocorre que de forma deliberada a participação de estados e municípios que receberam verbas a fundo perdido para combater a COVID ficou oculta ou talvez a CPI não tenha se apercebido do erro apesar dos muitos alertas. De repente o que havia sumido ou deliberadamente oculto, principalmente para o triunvirato que comanda a CPI, Aziz, Randolfe e Renan, surgiu com a operação Reditus da Polícia Federal.

Ontem, 18 de agosto de 2021, 400 ninjas da Polícia Federal visitaram oito estados – Amazonas, Pará, São Paulo, Goiás, Ceará, Rio De Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso – levando uma surpresa nem um pouco agradável para os espertinhos que supostamente meteram a mão na grana federal destinada à compra de insumos, montagem de hospitais e medicamentos para combater a COVID. A Reditus é uma operação de grande monta. Nesta etapa 95 mandados de busca e apreensão, 54 mandados de prisão temporária e seis de preventiva foram expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal e quando a informação oficial cita “nesta etapa da operação” é por que tem mais cordão no novelo a ser puxado pelas mãos “duzomi da capa preta”. Só nas investigações iniciais, os órgãos de controle viram irregularidades que passam de R$ 1,2 bilhão com a contratação de organizações sociais para gestão de hospitais públicos, somente no Pará.  É tão óbvio que não entendo como é que os donos da CPI da COVID não imaginaram que isso pudesse estar ocorrendo, apesar de avisos dados a altos berros e o encagaçamento geral que levou os governadores a pedirem e conseguirem abrigo no STF para fulminar os depoimentos. Mas, como não há o que fique oculto para sempre, os ninjas descobriram. É que com eles não existe conto da carochinha e toda mentira tem perna curta. O tirambaço varou a blindagem.

O foco – algo que faz falta à CPI da COVID – nesta fase da operação Reditus é buscar as provas e as evidências sobre crimes de ORCRIM – organização criminosa como a lavagem de capitais e já existem os contratos com quatro OS’s – Organizações Sociais, cinco hospitais regionais e quatro hospitais de campanha. Mas, o fim do buraco está níveis abaixo e não só nestes oito estados. O que se viu até agora pode ser a ponta de um iceberg perdido nas terras quentes do Pará. As investigações revelam que o governo do Pará repassava as verbas às Organizações Sociais e elas subcontratavam outras empresas para prestarem serviços nas unidades de saúde do estado geridas pelo grupo criminoso, uma prática conhecida como quarteirização. O serviço era subcontratado por preço maior e a diferença ficava com os ladinos, “in pocket”, no bolso, na mão grande, que caracteriza o crime de lavagem de dinheiro.

Contudo, para a desagradável surpresa não ficar restrita à visita dos ninjas da Polícia Federal às seis da matina ou nas prisões determinadas, houve o aperto do cinto. Foram suspensas as atividades de duas empresas, na verdade duas lavanderias de dinheiro, o sequestro de bens móveis e imóveis do principal operador financeiro da mutreta cujo valor ultrapassa R$ 150 milhões e o bloqueio de contas de pessoas físicas e jurídicas que passam dos R$ 800 milhões.

Os governadores farão o seu dever de casa dando uma nota de “apoio as investigações para que a verdade seja esclarecida” como consta da cartilha dos corruptos. É a praxe. E devo dizer que eu acredito nessas notas oficiais, como aliás, acredito em quase tudo. Só não acredito em Papai Noel porque ele entra e sai da chaminé sem sujar a roupa, mas sei que as suas renas voam e eu mesmo já vi lá na Bahia umas dez vezes na noite do Natal.

E como vivemos no meio desse mundo de águas na Amazônia, deixo um aviso aos navegantes: as investigações dos órgãos de controle, CGU, Tribunais de Contas e claro, Polícia Federal irão buscar mais estados e municípios. Se alguém meteu a mão na verba destinada a combater a COVID cometeu um pecado mortal e se está com medo da visita dos ninjas às seis da manhã, procure um padre e conte o seu pecado. Mas deixe um advogado criminalista de sobreaviso.


Deixe o seu comentário

sobre Léo Ladeia

Leo Ladeia é baiano de Itororó, torcedor do Bahia ou um pau rodado que apoitou por aqui. Começou como radialista na Rádio Vitória Régia aos 55 anos. Apresentou o programa Lendas do Rock na rádio Parecis. Na SIC TV como aqui no Gente de Opinião Léo Ladeia fez de tudo. Astronauta, boy, pintor, poeta e pedreiro. Mutante, gosta de experimentar e de desafios, atualmente Ladeia está trabalhando no Rede TV Rondônia, canal 17,do Sistema Gurgacz de Comunicação.