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Solano Ferreira

coluna

Publicado: 08/03/2019 às 06h01min

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Mulheres e as desigualdades

Apesar da grande propagação da causa feminina visando criar a relação de poder da mulher, a realidade no Brasil ainda deixa a desejar...

Apesar da grande propagação da causa feminina visando criar a relação de poder da mulher, a realidade no Brasil ainda deixa a desejar. O espaço na política é menor do que outros países da America Latina, no mercado de trabalho os salários continuam menores do que homens, e a violência ainda é fator de preocupação elevada.

Na nova legislatura da Câmara dos Deputados a bancada feminina chegou a 77 mulheres, o que representa 15% das cadeiras, 5% a mais do que na legislatura anterior que teve 51 mulheres (10% do parlamento). Rondônia contribui nesse mandato (2019-2022) com três deputadas federais sendo: a veterana Mariana Carvalho, e as novatas Jaqueline Cassol e Silvia Cristina. Apesar da melhora da projeção feminina nas últimas eleições, o Brasil está quase no final da fila dos 20 países da América Latina.

Na Assembléia Legislativa de Rondônia a presença feminina está em apenas duas cadeiras, sendo Rosangela Donadon e Cássia dos Muletas, de um total de 24 cadeiras. Apesar de que a legislação eleitoral brasileira exige dos partidos 30% de mulheres nas vagas disputadas para os parlamentos, a realidade do voto para as mulheres é bem abaixo do que aos homens. A lei exige, mas os partidos pouco incentivam a formação política da mulher. A maioria das candidatas bem sucedidas vem como herdeiras de clãs tradicionais.

A luta feminina também inclui na pauta os direitos à vida e ao mercado de trabalho. Muitas foram as conquistas no século XX, no entanto, as diferenças entre sexo ainda são enormes. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) para o terceiro trimestre de 2014, captando a estrutura do mercado de trabalho, e a compara com a situação na recessão (terceiro trimestre de 2016), mostra a relevância das diferenças entre mulheres, como em termos regionais ou raciais, no se trata de diferença entre sexos. A participação feminina no mercado de trabalho brasileiro é mais baixa do que a masculina. Mesmo representando 52,3% da população em idade ativa, as mulheres são apenas 43,3% da população economicamente ativa.

Outra questão em pauta e de tamanha relevância é o combate ao feminicídio, crimes praticados contra a mulher por questão de gênero. O Brasil ocupa o vergonhoso quinto lugar no ranking mundial de homicídios contra mulheres, conforme o Alto Comissariado das Nações Unidas pra os Direitos Humanos (ACNUDH). O Mapa da Violência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que o número de mulheres assassinadas aumentou no Brasil. Em 2016, uma mulher foi assassinada a cada duas horas no país.


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