Porto Velho/RO, 08 Novembro 2020 08:00:43

CarlosSperança

coluna

Publicado: 08/11/2020 às 08h00min

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Por que há tantos indecisos e descrentes nesta campanha eleitoral

Desilusão e descrença Por que há tantos indecisos e descrentes nesta campanha eleitoral em Porto Velho, em Rondônia e neste País? Com..

Desilusão e descrença

Por que há tantos indecisos e descrentes nesta campanha eleitoral em Porto Velho, em Rondônia e neste País? Com eleições diretas para todos os cargos desde 1989, ainda há eleitores ingênuos ou indiferentes, mas a impressão geral é que o eleito não perde o mandato se não cumprir as promessas feitas e ao se corromper se livra pagando bons advogados. Não é surpresa, nesse caso, que haja tantos eleitores descrentes com as eleições. Vendidas como se fossem a vontade do povo, põem em risco a respeitabilidade da própria democracia. Sem precisar cumprir promessas, os eleitos podem prometer à vontade na campanha eleitoral, comandada por especialistas em manipular consciências e sentimentos.

Estudando os públicos, os marqueteiros criam iscas para atrair atenções e convencer a audiência. Capturando massas de eleitores que vão às urnas votar no que foi prometido e nas imagens maquiadas pelos estrategistas publicitários, o eleito raramente corresponde ao “produto” que a propaganda vendeu.

A margarina ruim será evitada na próxima compra, mas o eleito ficará traindo o voto por quatro ou oito anos. Mesmo que se corrompa, com boa retaguarda jurídica, paga pelos contribuintes, poderá desviar recursos e usar o tráfico de influência durante o mandato, esconder o que der e se apanhado devolver um pouco, anos depois, via delação premiada. Sem o mandato revogável, a desconfiança só vai aumentar.

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Reta final

Temos dois fatores que podem causar desequilíbrio na eleição de Porto Velho e que já ocorreram em pleitos anteriores. O efeito Manada, aquela tendência do eleitorado agir em bando, atuando em favor de determinado candidato e o chamado voto útil, no caso a escolha do candidato oposicionista pelo eleitor em melhores condições de bater o poder dominante, leia-se o comando do alcaide Hildon Chaves e seu guru Expedito Junior. E quando ocorre o voto útil  podem desabar outros candidatos oposicionistas até então bem posicionados.

O invisível

Disputando a eleição na capital rondoniense em condições de fragilidade, já que substituiu Ted Wilson, recentemente, que teve o registro da sua candidatura impugnado, Leonardo da Luz entrou numa fria e é o nome mais invisível da atual campanha. Não tem sido colocado até em pesquisas, cujos institutos chegaram a ignorá-lo. Para marcar presença o PRTB fez questão de manter uma candidatura majoritária e mandou Leonardo da Luz para a escuridão.

Guerra de pupilos

Temos todo tipo de rusgas na eleição em Porto Velho. Uma delas é entre os pupilos do governador Marcos Rocha, Breno Mendes (Avante) e Lúcio Mosquini (MDB), pupilo do senador Confúcio Moura e ungido para disputar o governo do estado em 2022. Breno Mendes defendendo a bandeira de Marcos Rocha, Mosquini a escuderia de Williames Pimentel. Tudo começou quando Breno atacou a bancada federal com seu coordenador Mosquini se arrepiando todo.

Situação cômoda

Sem dúvida a situação mais cômoda dos candidatos a reeleição em Rondônia é a do delegado Araújo em Pimenta Bueno. Ele assumiu a municipalidade em situação adversa e ninguém quer pegar a “bomba”, por isto tornou-se o único interessado no Palácio Barão do Melgaço considerado tumba de prefeitos. Por lá já foram cassados uns três desde a sua criação ao final da década de 70. A cidade que já teve lideranças fortes, do porte de Vicente Homem Sobrinho, hoje padece de força política para projetar a Princesinha da BR.

Terra Legal

Da mesma forma em que o ex-governador Confúcio Moura (MDB) abriu sua campanha à reeleição, priorizando a regularização fundiária em todo o estado, o atual governador Marcos Rocha (sem partido) deu início a sua, anunciando o projeto “Meu Imóvel Legal”, uma versão estadual do Programa Terra Legal, da esfera nacional, que não funcionou. Pagar salários em dia do funcionalismo e cumprir com as obrigações com os credores e mais a regularização fundiária, foram armas dos governos anteriores para o sucesso. Confúcio também foi bem-sucedido com habitação popular no seu governo.

 

Via Direta

*** No afunilamento da campanha, os candidatos a vereança na capital rondoniense aceleram o ritmo de visitações em busca dos indecisos*** O Dr. Bandeira (PSB) investe na Zona Leste, Alex Palitot (PTB) é forte no funcionalismo público, Carlinhos Maracanã perante o setor cultural *** E na bolsa das apostas, Edwilson Negreiros é considerado nome de ponteira nesta peleja, com grande estrutura de campanha e o apoio unificado de todo clã Negreiros. É pódio certo*** O marketing tucano acertou a mão na campanha a reeleição do prefeito Hildon Chaves e mostrou prestigio: O alcaide chegou a trocar seu jatinho intercontinental acostumado a voar a Buenos Ayres e Miami, por ônibus de transporte coletivo na terceiro-mundista Porto Velho *** Cutucadas a parte, a tarifa única foi uma grande sacada tucana. Pegou legal, colou.


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sobre Carlos Sperança

Um dos maiores colunistas político do Estado de Rondônia. Foi presidente do Sinjor. Foi assessor de comunicação do governador José Bianco entre outros. Mantém uma coluna diária no jornal Diário da Amazônia.

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